Empresas espanholas — de startups em Barcelona a consultorias em Madri — têm contratado cada vez mais profissionais brasileiros para trabalhar remotamente: desenvolvedores, designers, gestores de tráfego, redatores e gerentes de projeto. Na maioria dos casos, o vínculo é feito com a pessoa jurídica do profissional, que emite nota fiscal e recebe o pagamento em euro, convertido depois para real.
A boa notícia é que, diferente de outros países desta série, Brasil e Espanha mantêm um acordo de bitributação em vigor há décadas. Isso reduz de forma significativa o risco de a mesma renda ser tributada integralmente nos dois países — mas não elimina a necessidade de organizar a contabilidade da PJ corretamente desde o primeiro contrato.
Este guia explica como funciona, na prática, receber de uma empresa espanhola sendo PJ no Brasil, o que o acordo de bitributação garante e o que ainda precisa ser avaliado caso a caso com o seu contador.
Como funciona o pagamento de uma empresa espanhola para uma PJ brasileira
Na maior parte dos contratos, a empresa espanhola paga em euro para uma conta em nome da pessoa jurídica brasileira — diretamente por transferência internacional ou por meio de plataformas de câmbio como a Wise Business, que permite receber em euro com dados bancários locais e converter para real com transparência sobre a taxa aplicada.
O valor recebido em euro precisa ser convertido para real na nota fiscal, geralmente pela cotação da data em que o câmbio é efetivamente fechado — não pela cotação do dia do orçamento ou da assinatura do contrato. Essa é uma das confusões mais comuns entre quem começa a trabalhar remoto para clientes europeus: a nota fiscal reflete o valor em real na data da operação, e é esse valor que compõe o faturamento da empresa para fins de apuração de impostos.
O acordo de bitributação Brasil-Espanha: o que ele confirma
Brasil e Espanha têm uma Convenção para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal em vigor desde 1975, promulgada pelo Decreto nº 76.975, de 2 de janeiro de 1975, assinada em 14/11/1974. É um dos acordos mais antigos da lista de tratados de bitributação que o Brasil mantém, o que dá uma previsibilidade maior para quem fatura em euro a partir de contratos com empresas espanholas.
Na prática, o objetivo desse tipo de acordo é evitar que a mesma renda seja tributada integralmente em ambos os países, geralmente por meio de mecanismos de crédito do imposto pago em um país contra o imposto devido no outro, ou de regras que definem qual dos dois países tem prioridade para tributar determinado tipo de rendimento. A forma exata como isso se aplica depende do tipo de renda (prestação de serviço, rendimento do trabalho, royalties, entre outros) e da estrutura do contrato — por isso o texto integral do acordo, disponível no hub oficial de Acordos para Evitar a Dupla Tributação da Receita Federal, deve ser consultado junto com o contador antes de presumir qualquer tratamento automático.
Existir o acordo significa que eu nunca pago imposto na Espanha?
Não necessariamente. A existência do acordo reduz o risco de bitributação, mas não elimina automaticamente qualquer retenção na fonte que a empresa espanhola possa ser obrigada a aplicar, dependendo de como o contrato está estruturado (prestação de serviço PJ-PJ, contratação via plataforma de emprego remoto, ou outro modelo). Se a empresa espanhola informar que fará algum tipo de retenção, vale pedir detalhes por escrito e levar essa informação ao seu contador, que pode avaliar se e como esse valor pode ser compensado no Brasil à luz do acordo vigente.
O que muda na contabilidade da PJ que fatura para a Espanha
Nota fiscal em real. Mesmo com contrato e pagamento em euro, a nota fiscal brasileira é emitida em reais, na cotação da data da operação de câmbio.
ISS e exportação de serviço. A Lei Complementar nº 116/2003, que rege o ISS em todo o Brasil, trata a exportação de serviços de forma diferenciada em relação a serviços prestados dentro do país — mas a aplicação correta depende do tipo de serviço contratado e de onde o resultado dele se verifica, por isso vale revisar o enquadramento com o contador antes de emitir a primeira nota.
Enquadramento tributário. Receber em euro de uma empresa espanhola não muda, por si só, o regime tributário da PJ — Simples Nacional ou Lucro Presumido continuam sendo opções avaliadas pelo CNAE e pelo faturamento total, não pela origem geográfica do cliente.
Guarda de documentação. Contratos em espanhol ou inglês, comprovantes de câmbio e eventuais recibos de retenção da empresa espanhola devem ser guardados — são a base para qualquer discussão futura sobre aplicação do acordo de bitributação.
Câmbio e ferramentas usadas por quem recebe da Espanha
Além da transferência bancária internacional tradicional, muitos profissionais que faturam para clientes espanhóis usam contas multimoeda como a Wise Business para receber em euro e converter para real de forma mais transparente. Independentemente da ferramenta escolhida, a operação de câmbio segue sujeita à regulamentação cambial brasileira, e o valor precisa ser identificado corretamente na contabilidade da empresa.
Como a Contabilidade Zen ajuda quem trabalha remoto para empresa da Espanha
Atendemos profissionais e empresas do segmento de exportação de serviços que faturam em euro, dólar e outras moedas, cuidando do enquadramento tributário correto, da emissão de nota fiscal na cotação certa e da análise de como o acordo de bitributação Brasil-Espanha se aplica ao seu contrato específico. Veja também nosso guia completo sobre acordos de dupla tributação e sobre como funciona a tributação e o câmbio para PJ que recebe do exterior. Se você está começando agora, veja como abrir sua empresa com o CNAE certo, conheça nossos planos ou fale com a gente para revisar seu contrato atual.
FAQ — Trabalhar remoto para empresa da Espanha
1. Existe acordo de bitributação entre Brasil e Espanha?
Sim. O acordo está em vigor desde 1975, promulgado pelo Decreto nº 76.975/1975, e tem como objetivo evitar que a mesma renda seja tributada integralmente nos dois países.
2. O acordo significa que não vou pagar nenhum imposto na Espanha?
Não necessariamente. O acordo reduz o risco de bitributação, mas a aplicação depende do tipo de renda e da estrutura do contrato. Se houver retenção por parte da empresa espanhola, vale avaliar com o contador como ela se relaciona com o acordo vigente.
3. Como recebo o pagamento em euro sendo PJ no Brasil?
A forma mais comum é por transferência internacional ou por plataformas de câmbio como a Wise Business, que oferecem dados bancários em euro e conversão para real com taxas mais transparentes que as de bancos tradicionais.
4. A nota fiscal para a empresa espanhola é emitida em euro ou em real?
Em real. Mesmo com contrato e pagamento em euro, a legislação brasileira exige que a nota fiscal seja emitida em reais, geralmente pela cotação da data da operação de câmbio.
5. Receber de uma empresa espanhola muda o regime tributário da minha PJ?
Não diretamente. O regime (Simples Nacional ou Lucro Presumido, por exemplo) continua sendo definido pelo CNAE e pelo faturamento total da empresa, não pela origem do cliente — mas o tratamento de ISS e outros tributos sobre a exportação do serviço deve ser avaliado com o contador.
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Perguntas Frequentes
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André Martins
Arquiteto · São Paulo, SP
Contador Especialista em Profissionais de Saúde · Fundador da Contabilidade Zen
Contador especializado em tributação para médicos, dentistas e psicólogos PJ. Registro ativo no CRC-SP (337693/O-7). Fundador da Contabilidade Zen, escritório 100% digital focado em planejamento tributário e abertura de empresa para profissionais de saúde.
