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    Quanto Custa um Funcionário em 2026: Encargos, Provisões e Exemplo Prático

    Contratar um funcionário no Brasil custa significativamente mais do que o salário combinado. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o custo total de um empregado CLT pode chegar a 70% a 183% acima do salário bruto, dependendo do regime tributário da empresa e dos benef…

    30 de junho de 2026Atualizado em junho de 2026
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    Quanto Custa um Funcionário em 2026: Encargos, Provisões e Exemplo Prático

    Contratar um funcionário no Brasil custa significativamente mais do que o salário combinado. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o custo total de um empregado CLT pode chegar a 70% a 183% acima do salário bruto, dependendo do regime tributário da empresa e dos benefícios concedidos.

    Para o empresário que planeja expandir sua equipe em 2026, entender a composição real desse custo é fundamental para precificar serviços, definir orçamentos e escolher o regime tributário mais adequado.

    Este guia detalha cada componente do custo de um funcionário: encargos patronais, provisões obrigatórias, benefícios comuns e o impacto do regime tributário. Ao final, um exemplo prático com salário de R$ 3.000 mostra quanto a empresa realmente desembolsa.


    Composição do Custo de um Funcionário

    O custo total de um empregado CLT se divide em três camadas:

    CamadaO que incluiPeso aproximado
    1. Salário brutoValor contratualBase (100%)
    2. Encargos patronaisINSS, RAT, Terceiros, FGTS34,8% a 36,8%
    3. Provisões obrigatórias13° salário, férias, 1/3 de férias23,1%
    4. BenefíciosVT, VA/VR, plano de saúdeVariável

    Encargos Patronais

    Os encargos patronais são contribuições que a empresa paga sobre a folha de pagamento, sem descontar do salário do empregado:

    INSS Patronal

    ComponenteAlíquotaBase legal
    Contribuição previdenciária patronal20%Lei 8.212/91, art. 22, I
    RAT (Risco Ambiental do Trabalho)1% a 3%Lei 8.212/91, art. 22, II
    FAP (Fator Acidentário de Prevenção)Multiplica o RAT por 0,5 a 2,0Decreto 6.957/2009
    Terceiros (Sistema S, INCRA, Salário-Educação)5,8%Lei 8.212/91, art. 22

    RAT efetivo = RAT × FAP. Uma empresa com RAT de 2% e FAP de 1,5 paga 3% de RAT efetivo.

    Grau de riscoRAT baseExemplos de atividades
    Leve (1)1%Comércio, escritórios, serviços administrativos
    Médio (2)2%Transporte, metalurgia leve, alimentação
    Grave (3)3%Construção civil, mineração, indústria química

    Contribuição para Terceiros

    A alíquota de 5,8% para terceiros é composta por:

    EntidadeAlíquota
    Salário-Educação2,5%
    INCRA0,2%
    SENAI / SENAC / SENAT1,0%
    SESI / SESC / SEST1,5%
    SEBRAE0,6%
    Total5,8%

    FGTS

    ComponenteAlíquota
    FGTS mensal8%
    FGTS sobre 13° salário8%
    FGTS sobre férias + 1/38%
    Multa rescisória (demissão sem justa causa)40% do saldo

    O FGTS não é tecnicamente um "encargo patronal" — é um depósito na conta do empregado. Mas para efeito de custo empresarial, funciona como encargo de 8% sobre toda a remuneração.

    Resumo dos Encargos Patronais

    EncargoAlíquota mínimaAlíquota máxima
    INSS patronal20%20%
    RAT (com FAP)0,5%6%
    Terceiros5,8%5,8%
    FGTS8%8%
    Total encargos34,3%39,8%

    Para a maioria das empresas (RAT 2%, FAP 1,0), o total de encargos fica em 35,8%.


    Provisões Obrigatórias

    Provisões são custos que a empresa acumula mensalmente para pagar obrigações futuras. Mesmo que o pagamento ocorra uma ou duas vezes por ano, o custo mensal precisa ser provisionado:

    ProvisãoCálculoPercentual sobre o salário
    13° salárioSalário ÷ 128,33%
    FériasSalário ÷ 128,33%
    1/3 constitucional de férias(Salário ÷ 12) ÷ 32,78%
    Encargos sobre 13° (INSS + FGTS)~35,8% × 8,33%2,98%
    Encargos sobre férias + 1/3 (INSS + FGTS)~35,8% × 11,11%3,98%
    Total provisões26,40%

    Por que provisionar?

    Sem provisão, o 13° e as férias causam um pico de desembolso nos meses de pagamento. A provisão mensal distribui o custo de forma linear, permitindo que a empresa mantenha o fluxo de caixa previsível.


    Benefícios Comuns

    Os benefícios variam conforme o porte da empresa, a convenção coletiva e a política interna:

    BenefícioValor típico (2026)Desconto do empregadoCusto líquido para a empresa
    Vale-transporte (VT)~R$ 440/mês (2 passagens × 22 dias)6% do salário (limitado ao valor do VT)Diferença entre VT e desconto
    Vale-alimentação/refeição (VA/VR)R$ 400 a R$ 900/mêsFacultativo (até 20% do valor)R$ 400 a R$ 900/mês
    Plano de saúdeR$ 300 a R$ 800/mês (por empregado)Coparticipação opcionalR$ 300 a R$ 800/mês
    Seguro de vida em grupoR$ 15 a R$ 50/mêsGeralmente sem descontoR$ 15 a R$ 50/mês

    Vale-transporte: como funciona o desconto

    A empresa paga o valor integral do VT e desconta até 6% do salário bruto do empregado:

    Salário brutoVT mensal (estimativa)Desconto (6%)Custo para a empresa
    R$ 1.518R$ 440R$ 91,08R$ 348,92
    R$ 3.000R$ 440R$ 180,00R$ 260,00
    R$ 5.000R$ 440R$ 300,00R$ 140,00
    R$ 8.000R$ 440R$ 440,00R$ 0

    Quando o desconto de 6% iguala ou supera o valor do VT, o custo para a empresa é zero. Na prática, isso ocorre para salários acima de ~R$ 7.300 (considerando VT de R$ 440).


    Exemplo Prático: Custo Real de um Funcionário com Salário de R$ 3.000

    ItemCálculoValor mensal
    Salário brutoR$ 3.000,00
    INSS patronal (20%)R$ 3.000 × 20%R$ 600,00
    RAT (2%)R$ 3.000 × 2%R$ 60,00
    Terceiros (5,8%)R$ 3.000 × 5,8%R$ 174,00
    FGTS (8%)R$ 3.000 × 8%R$ 240,00
    Subtotal encargosR$ 1.074,00
    Provisão 13° salárioR$ 3.000 ÷ 12R$ 250,00
    Provisão fériasR$ 3.000 ÷ 12R$ 250,00
    Provisão 1/3 fériasR$ 250 ÷ 3R$ 83,33
    Encargos sobre provisões (~35,8%)R$ 583,33 × 35,8%R$ 208,83
    Subtotal provisõesR$ 792,16
    Vale-transporte (líquido)R$ 440 − R$ 180R$ 260,00
    Vale-alimentaçãoR$ 500,00
    Subtotal benefíciosR$ 760,00
    CUSTO TOTAL MENSALR$ 5.626,16
    Percentual sobre o salário~87,5%

    Para um salário de R$ 3.000, o custo real para a empresa é de aproximadamente R$ 5.626 por mês — quase o dobro do salário bruto.

    Sem benefícios (VT e VA), o custo seria de R$ 4.866,16 — ainda 62,2% acima do salário.


    Custo por Faixa Salarial

    Salário brutoEncargos (35,8%)Provisões (26,4%)Benefícios (est.)Custo total% acima do salário
    R$ 1.518 (mínimo)R$ 543R$ 401R$ 850R$ 3.312118%
    R$ 2.000R$ 716R$ 528R$ 800R$ 4.044102%
    R$ 3.000R$ 1.074R$ 792R$ 760R$ 5.62688%
    R$ 5.000R$ 1.790R$ 1.320R$ 640R$ 8.75075%
    R$ 8.000R$ 2.864R$ 2.112R$ 500R$ 13.47668%
    R$ 12.000R$ 4.296R$ 3.168R$ 500R$ 19.96466%

    Observação: quanto maior o salário, menor o peso relativo dos benefícios (que são valores fixos). Por isso o percentual acima do salário diminui em faixas mais altas. Porém, o valor absoluto dos encargos cresce proporcionalmente.


    Simples Nacional vs. Lucro Presumido/Real: Impacto nos Encargos

    O regime tributário da empresa altera significativamente o custo dos encargos:

    Simples Nacional

    EncargoSituação
    INSS patronal (20%)Incluído na guia do DAS (não paga separado)
    RATIncluído no DAS
    Terceiros (5,8%)Não paga (contribuição ao Sistema S é dispensada)
    FGTS (8%)Paga normalmente
    13°, férias, provisõesIguais ao regime geral

    Resultado: empresas do Simples Nacional economizam entre 25,8% e 27,8% de encargos patronais (INSS + RAT + Terceiros), pagando apenas o FGTS de 8% como encargo separado.

    Comparação direta (salário de R$ 3.000)

    ItemLucro Presumido/RealSimples Nacional
    Salário brutoR$ 3.000R$ 3.000
    INSS patronal + RAT + TerceirosR$ 834R$ 0 (incluso no DAS)
    FGTSR$ 240R$ 240
    Provisões (13°, férias, 1/3)R$ 583R$ 583
    Encargos sobre provisõesR$ 209 (35,8%)R$ 47 (8% FGTS)
    Benefícios (VT + VA)R$ 760R$ 760
    Custo total mensalR$ 5.626R$ 4.630
    % acima do salário87,5%54,3%

    A economia do Simples Nacional é de aproximadamente R$ 996 por mês por funcionário — ou R$ 11.952 por ano. Para empresas com 5 empregados, isso representa quase R$ 60.000 por ano.


    Custo da Demissão Sem Justa Causa

    Além do custo mensal, a demissão sem justa causa gera desembolso adicional significativo:

    Verba rescisóriaCálculo (salário R$ 3.000, 12 meses)
    Saldo de salárioProporcional aos dias trabalhados
    13° proporcionalR$ 3.000 ÷ 12 × meses trabalhados
    Férias proporcionais + 1/3(R$ 3.000 + R$ 1.000) ÷ 12 × meses
    Aviso prévio indenizado (30 dias + 3/ano)R$ 3.000 (mínimo)
    Multa do FGTS (40% do saldo)40% × R$ 3.600 (12 meses de depósito) = R$ 1.440
    Custo estimado da rescisão~R$ 10.000 a R$ 12.000

    Esse valor equivale a 3 a 4 meses de salário, e deve ser considerado no planejamento de contratação.


    Como Reduzir o Custo de um Funcionário

    EstratégiaEconomia potencialObservação
    Optar pelo Simples Nacional (quando vantajoso)25%–28% dos encargosDepende da receita e do anexo
    Negociar benefícios coletivos (plano de saúde, VA)10%–30% no valor unitárioMaior poder de negociação com mais vidas
    Investir em segurança do trabalho (reduzir FAP)Até 50% do RATFAP menor = RAT efetivo menor
    Automatizar processos de folha e eSocialReduz risco de multasMultas por atraso custam caro
    Contratar contabilidade especializadaOtimização tributária da folhaIdentificar benefícios fiscais aplicáveis

    Perguntas Frequentes (FAQ)

    1. Quanto custa um funcionário com salário mínimo em 2026?

    Com o salário mínimo de R$ 1.518 em 2026, o custo total para a empresa (incluindo encargos, provisões e benefícios) fica entre R$ 3.000 e R$ 3.300 por mês, dependendo do regime tributário e dos benefícios concedidos. No Simples Nacional, o custo é menor.

    2. Quais encargos a empresa paga sobre o salário?

    Os principais encargos patronais são: INSS (20%), RAT (1% a 3%), contribuição a terceiros (5,8%) e FGTS (8%). Somados, representam entre 34,8% e 36,8% do salário bruto para empresas do Lucro Presumido ou Real. No Simples Nacional, INSS, RAT e terceiros estão incluídos no DAS.

    3. O custo de um funcionário no Simples Nacional é menor?

    Sim. Empresas do Simples Nacional não pagam INSS patronal (20%), RAT e contribuição a terceiros (5,8%) separadamente — esses encargos estão incluídos na alíquota do DAS. O FGTS (8%) continua sendo pago à parte. A economia pode chegar a R$ 1.000/mês por funcionário.

    4. A empresa paga encargos sobre o 13° salário e as férias?

    Sim. O INSS patronal e o FGTS incidem sobre o 13° salário e sobre as férias + 1/3 constitucional. Por isso, o custo real das provisões é maior do que simplesmente 8,33% (13°) + 11,11% (férias + 1/3).

    5. Quanto custa demitir um funcionário sem justa causa?

    O custo da demissão sem justa causa inclui aviso prévio indenizado, 13° e férias proporcionais, e multa de 40% sobre o saldo do FGTS. Para um funcionário com salário de R$ 3.000 e 12 meses de casa, o custo rescisório fica entre R$ 10.000 e R$ 12.000.

    6. O vale-transporte é custo da empresa?

    Parcialmente. A empresa paga o valor integral do VT e desconta até 6% do salário bruto do empregado. A diferença entre o valor do VT e o desconto é custo da empresa. Para salários mais altos, o desconto pode cobrir integralmente o VT.

    7. Como calcular o custo total de um funcionário?

    Some o salário bruto + encargos patronais (INSS 20%, RAT 1-3%, Terceiros 5,8%, FGTS 8%) + provisões (13° 8,33%, férias 8,33%, 1/3 férias 2,78%) + encargos sobre provisões + benefícios (VT, VA, plano de saúde). O resultado típico fica entre 70% e 100% acima do salário bruto.


    Como a Contabilidade Zen Pode Ajudar

    Entender o custo real de cada funcionário é essencial para decisões de contratação, precificação e escolha do regime tributário. A Contabilidade Zen oferece simulação completa de custo de folha, gestão de encargos e orientação sobre o regime mais vantajoso para a sua empresa.

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    Thomas Broek — Contador, CRC-SP 337693/O-7. Artigo atualizado em julho de 2026 com a legislação vigente.


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    Tags:

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    custo funcionario empresa
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    "A Contabilidade Zen entendeu as particularidades da minha profissão e encontrou o melhor enquadramento tributário. Economizo muito todo mês!"

    AM

    André Martins

    Arquiteto · São Paulo, SP

    Thomas Broek

    Autor
    CRC-SP 337693/O-7

    Contador Especialista em Profissionais de Saúde · Fundador da Contabilidade Zen

    Contador especializado em tributação para médicos, dentistas e psicólogos PJ. Registro ativo no CRC-SP (337693/O-7). Fundador da Contabilidade Zen, escritório 100% digital focado em planejamento tributário e abertura de empresa para profissionais de saúde.

    Última atualização: junho de 2026

    Revisado por: Equipe Contabilidade Zen

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